0% Rally & Roam is getting ready

Rally & Roam

Liisa Mäkelä: "Comecei o padel aos cinquenta e cinco e ninguém me disse que era tarde"

Uma professora reformada de Tampere fala de aprender um desporto novo perto dos sessenta, de encontrar o seu lugar nos pavilhões de padel da Finlândia e de viajar para sul todas as primaveras para jogar.

Visão geral

Liisa Mäkelä ensinou matemática em Tampere durante trinta anos e nunca tinha jogado um desporto de raquete quando uma antiga colega a convidou para uma noite de iniciação num pavilhão de padel local. Tinha cinquenta e cinco anos. Sete anos depois joga quatro vezes por semana, é capitã de uma equipa numa liga feminina e passa quinze dias em Espanha todas as primaveras. Falámos com ela depois de uma sessão matinal, ainda com as sapatilhas de jogo calçadas, um café e um pão de canela.

O começo

O que esperava daquela primeira noite?

Vergonha. Eu era a mais velha por quinze anos e não fazia desporto nenhum desde o esqui de fundo em miúda. Mas o treinador pôs-nos aos pares, deu-nos bolas macias e em dez minutos já estávamos a trocar bolas. No ténis passam-se os primeiros meses a correr atrás da bola até à vedação. No padel as paredes devolvem-na. Sentimo-nos jogadores muito depressa.

Houve um momento em que a coisa ficou séria?

Passados uns três meses, uma senhora do meu grupo perguntou-me se queria fazer parte de um jogo fixo a quatro às quintas de manhã. Foi isso. Quando se tem um jogo fixo, há pessoas à nossa espera. Desde então não falhei muitas quintas-feiras.

Aprender mais tarde na vida

O que é mais difícil aos cinquenta e cinco do que aos vinte e cinco?

A recuperação, sem dúvida. Preciso de um dia entre sessões duras e faço sempre um bom aquecimento, coisa de que os jogadores novos se riem até se lesionarem. Os movimentos rápidos para os lados foram difíceis ao início. Trabalhei as pernas no ginásio durante um inverno e fez uma grande diferença.

E o que é mais fácil?

A paciência. Os jogadores novos querem bater com força. Eu fico feliz a fazer balões a manhã inteira à espera de um erro. O padel recompensa isso. Também não tenho vaidade nenhuma em relação ao meu nível. Sei exatamente onde estou e gosto de jogar com pessoas um pouco melhores do que eu.

A Finlândia e o inverno longo

Como é o padel na Finlândia?

Muito social e quase todo em recinto coberto. Os pavilhões são quentes, luminosos e estão cheios desde manhã cedo, sobretudo nos meses escuros. As pessoas jogam antes do trabalho, à hora de almoço e até tarde da noite. Para os jogadores mais velhos é maravilhoso no inverno, porque andar lá fora pode ser gelado e desagradável, e o pavilhão torna-se um sítio para ver os amigos.

Porque é que viaja para sul para jogar?

Pela luz, antes de mais. Depois de um inverno finlandês, jogar ao ar livre ao sol em abril é como se nos devolvessem o corpo. E a bola comporta-se de outra maneira ao ar livre. Há vento, a bola fica mais viva com o calor e os balões desviam-se. Faz de mim uma jogadora melhor quando volto para casa.

Viajar como jogadora mais velha

Alguma vez se sentiu deslocada num clube no estrangeiro?

Raramente. Em Espanha jogo muitas vezes com senhoras locais na casa dos sessenta que são muito melhores do que eu. Mando sempre uma mensagem ao clube antes de chegar, digo-lhes o meu nível com honestidade e peço que me ponham num jogo aberto adequado. Os clubes fazem isso muito bem quando lhes damos a informação.

O que diria a alguém nos cinquenta ou sessenta que esteja a pensar se deve começar?

Vá a uma sessão de iniciação e não decida nada antes de ir três vezes. Da primeira vez está nervoso, da segunda está a aprender, da terceira já está a divertir-se. E compre umas sapatilhas decentes. Tudo o resto pode esperar.